Eu e a pilosidade facial que escolho ou não deixar crescer.
12.5.09

Sem sombra de dúvida, as grandes barbas da minha infância são a do meu tio e a do meu padrinho. Barbas respeitáveis, nunca selvagens, que fazem parte daquilo que eles são. Mas também há barbas que eu nunca cheguei a conhecer. Uma vez vi uma fotografia da barba do pai do Manuel quando era mais novo e parecia a barba de um revolucionário de esquerda – algo que ele não é. No ano passado vi uma fotografia do pai da Maria João de barba e óculos de sol e pensei que gostaria de ser assim quando crescesse. Será que ainda vou a tempo?

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Será que as constantes referências a gente famosa me fazem parecer o Dennis Miller (adoro a barba, odeio o reaccionário em que ele se transformou)?

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Há quem deixe crescer a barba porque não tem paciência para fazer a barba todos os dias. Mas a verdade é que deixar crescer a barba também é complicado. Especialmente ao início. A comichão é a pior inimiga da barba. O calor vem logo a seguir. Um dia, contudo, tudo se resolve. Dá-se o momento mágico em que isso deixa de importar. Depois de algumas semanas com um protótipo de barba e depois de muita comichão, a barba consolida-se. Fica uma barba a sério. Algo que impõe respeito. O que se faz a partir daí é da responsabilidade do dono dela. Mas que é um momento bonito, é.

Isto não quer dizer que, depois de consolidada a barba, a vida passe a ser perfeita. Ainda há muitos problemas. Os clássicos pêlos ruivos que crescem em barbas de qualquer cor, os pêlos brancos (que para mim não são problema nenhum e adorava ter mais), etc. Mas o pior é provavelmente o olhar de lado. A associação das barbas – e do islamismo – ao terrorismo é algo assustador. Quando esse preconceito existe, é geralmente em aeroportos. O que dificulta muito ir para outro país. Donde virá essa ideia? Osama bin Laden tem uma barba, mas Jesus Cristo também tinha. E lembrem-se sempre: Hitler tinha um bigode ridículo. Seria ele um terrorista? Terá passado ao lado de uma vida de terrorismo por não existirem nem bombas nem aviões nem autocarros no seu tempo? Será que é o medo de estar algo escondido debaixo daquele amontoado de pêlos? Será que os terroristas e as pessoas más com algo a esconder do mundo têm mais predisposição para deixar crescer a barba? Será que deixar crescer a barba faz com que as pessoas sejam terroristas ou más?

Nunca se saberá ao certo. Há pessoas más impecavelmente barbeadas, é fácil compreender isso. O mistério ficará para sempre. Até há sítios onde é mais respeitável ter a quase sempre hedionda combinação bigode+pêra – gente como o Simon Pegg, que também é o único homem do mundo que pode descolorar o cabelo e a barba, pode usá-la, por exemplo, mas não há muito mais gente na sua condição, claro, também há o Ricky Gervais, mas isso era uma personagem e isso era suposto fazê-lo parecer pior. É algo inexplicável. Num mundo perfeito essa combinação seria totalmente desencorajada, mas não é. Vá-se lá saber por quê.

 

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A barba do Rick Ross é um caso muito especial. Nota-se que é cuidadosamente aparada, algo que deve custar muito dinheiro num barbeiro. Nunca experimentei. No ano passado li um artigo na Esquire de um dos editores que tinha deixado, pela primeira vez, crescer uma barba. E foi a um barbeiro para aprender a apará-la. A mim, que deixo crescer a barba regularmente desde que tenho 15 anos, nunca foi particularmente importante aprender a aparar a barba. Sempre fui mais de improvisar, de tocar de ouvido, de inventar enquanto estou a fazer. Os resultados nem sempre são bons, como é natural, mas é assim que se aprende (é essa a grande vantagem das barbas: pode-se sempre deixar crescê-las outra vez). Mesmo aparada, a barba nunca chega ao nível quase assustador e sobrehumano de gente como o Common ou o John Legend, tão calculadas que até mete impressão. Porque, e como diziam no tal artigo da Esquire, aparar sim, mas ter um relvado simetricamente cortado na cara não. A barba aparada mas não em demasia do Rick Ross é o melhor complemento para o porte atlético dele. E fica sempre bem com um charuto, um acessório que é a melhor cereja no topo do bolo de uma barba. Até as mamas de homem dele deixam de ser um caso sério devido ao imenso respeito que a barba dele impõe. E, com tanta polémica sobre ele ser ou não um mentiroso por ter sido guarda prisional da juventude – uma discussão que, obviamente, me assusta imenso, porque eu não quero que ele seja um traficante de droga, quero que seja um rapper inofensivo com uma barba imponente –, a barba do Rick Ross é capaz de ser a característica mais real dele.

link do postPor A minha barba, às 00:43  ver comentários (1) comentar

Estou a deixar crescer uma barba. Porquê? Porque posso. Há quem não possa. Tenho mais barba que o Keanu Reeves, por exemplo. Ou ele tem menos barba que eu. Não percebo bem isso. A minha grande inspiração é muito melhor – para aí mil vezes – que o Keanu Reeves. Chama-se Zach Galifianakis e é dono de uma das mais belas e fofas barbas que já vi na vida. É daquelas raras pessoas – tal como o Will Oldham, com quem fez este vídeo – que fica bem com ou sem barba e com bigode.

Nenhum deles deixa crescer demasiado a barba. Nem eu o farei. É que há consequências. Se o crescimento for demasiado selvagem correm riscos de ficar com uma barba académica. Existem alguns tipos de barba académica. Três exemplos: Marx, Darwin e o irmão do Pinto da Costa. São todas bonitas à sua maneira, sim, mas só passam se se for mesmo um académico. Eu não sou um académico. Nem o é o Zach Galifianakis. Muito menos o Will Oldham. Só se forem académicos de serem muito bons.

A pergunta que se pode fazer – e descobri hoje que o Galifianakis é muito sensível a perguntas sobre a barba dele – é: será que eles têm piada por causa da barba? Poderá uma barba ser divertida? Poderá uma barba ser considerada humor? Nenhum deles, e isto topa-se à distância, usa barba ironicamente. Como é que é usar uma barba ironicamente? Bigode compreendo, mas agora barba? Serão as barbas deles divertidas? O sentimento que as barbas deles provocam em mim é o sentimento que a barba do Kyp Malone dos TV On The Radio provocou no Stephen Colbert quando eles foram ao programa há uns meses: a vontade de afagá-la. E é basicamente isso tudo o que eu desejo da vida. Que me queiram afagar a barba.

link do postPor A minha barba, às 00:11  ver comentários (1) comentar

 
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